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Alunos montam robô para fiscalizar o trânsito em frente à escola

Alunos montam robô para fiscalizar o trânsito em frente à escola

 

Professor de Juazeiro do Norte (CE) conta como seus alunos do ensino fundamental usaram a programação para conscientizar motoristas que não respeitam as leis de trânsito

por Raniere Cândido 10 de maio de 2018

Sou professor de lógica de programação no Colégio Paraíso, em Juazeiro do Norte (CE). Para aproveitar o Maio Amarelo, movimento internacional de conscientização para redução de acidentes de trânsito, que no Brasil é mobilizado todo ano pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), meus alunos desenvolveram um projeto de educação que envolve programação.

Na escola, nós estamos usando a tecnologia para resolver problemas. Em parceria com a Micro:bit Foundation, a Positivo trouxe para o Brasil a plataforma Micro:bit e pediu para que as escolas parceiras começassem a disseminar o uso da miniplaca programável dentro da sala de aula.

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Os alunos aprenderam a programar, mas como a tecnologia por si não tem um fim, como coordenador de projetos eu propus que eles encontrassem uma aplicabilidade. Eles deveriam olhar para problemas que tínhamos no entorno na escola e pensar em uma solução.

Eles perceberam que, no horário de entrada e saída da escola, muitos pais paravam o carro em cima da faixa de pedestre, mesmo sabendo que isso era errado. Então os alunos tiveram a ideia de montar o Agente:bit, um robô que conscientiza o cidadão a respeitar as leis de trânsito.

Como protótipo inicial, eles programaram um robô com letreiro digital que, quando alguém estaciona no local proibido, exibe a mensagem: libere a faixa. É uma coisa muito simples, mas faz as pessoas se chocarem com o que estão fazendo, porque todo mundo sabe que é errado. Elas automaticamente saem da faixa, dão uma volta no quarteirão e procuram um lugar para estacionar.

Para construir o corpo do robô, os alunos trabalharam conceitos de sustentabilidade e reutilizaram materiais, como papelão e tinta guache. Eles usaram objetos cotidianos que estavam a disposição deles.

Após concluir o protótipo, os alunos colocaram o robozinho em frente à escola, ao lado da faixa de pedestre. Com isso, conseguimos impactar os pais e fazer um trabalho de educação no trânsito.

A ideia é alertar para coisas simples. Isso também vale para os pedestres, porque na saída da escola vários alunos ficam parados na faixa e impedem o tráfego. Quando eles passaram a olhar para o robô e ler a mensagem, eles também começaram a respeitar e sair discretamente.

Nós percebemos que educar é preciso. Mesmo tendo ideia das regras de trânsito, um alerta facilita no dia a dia. Isso gera um trabalho de conscientização de cada indivíduo.

Para desenvolver esse projeto, trabalhamos metodologia ativa na veia e utilizamos aprendizagem baseada em problemas. Os alunos também tiveram que desenvolver uma série de competências, como observação do meio, criatividade, trabalho em equipe e tomada de decisão, já que eles tiveram que escolher o melhor projeto para ser apresentado na Bett Educar, em São Paulo (SP). A iniciativa apresentada foi desenvolvida pelos alunos Mateus Alves e Marcele Medeiros, com apoio dos professores Ramon Felizardo e Rubenho Cunha.

 
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Raniere Cândido

Graduado em sistemas de informação, com mestrado em ciência da computação pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Trabalha há 20 anos como professor de lógica de programação no Colégio Paraíso, em Juazeiro do Norte (CE).

Automação e carreira no Brasil até 2030

Automação vai mudar a carreira de 16 milhões de brasileiros até 2030

A elite política e econômica global está preocupada com o futuro do trabalho. Além das já conhecidas ameaças geopolíticas e ambientais, as transformações do mercado de trabalho também ganharam lugar de destaque na agenda do Fórum Econômico Mundial, que começa nesta terça-feira (23) em Davos, na Suíça.

Só no Brasil, 15,7 milhões de trabalhadores serão afetados pela automação até 2030, segundo estimativa da consultoria McKinsey. Uma amostra recente foi o corte de 60 mil cargos públicos anunciado pelo governo Michel Temer este mês, boa parte em razão da obsolescência, como no caso de datilógrafos e digitadores.

No mundo, no período entre 2015 e 2020, o Fórum Econômico Mundial prevê a perda de 7,1 milhões de empregos, principalmente aqueles relacionados a funções administrativas e industriais.

A avaliação de especialistas da área é que o mercado de trabalho passa por uma grande reestruturação, semelhante à revolução industrial. A diferença é que agora tudo acontece muito mais rápido: desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

No Brasil, cerca de 11.900 robôs industriais serão comercializados entre 2015 e 2020, segundo a Federação Internacional de Robótica. A Roboris, que tem entre seus clientes a Embraer, é uma das fornecedoras que atuam no país. Segundo o presidente da empresa, Guilherme Souza, 30, o interesse da indústria brasileira pela automação vem crescendo.

"Acredito que os custos falam por si só, são um fator bem convincente. Mas, mais do que os custos, as empresas perceberam que se não aderissem a essa tecnologia, elas não seriam mais competitivas", afirma.

No mundo, entre 400 milhões e 800 milhões serão afetados pela automação até 2030, a depender do ritmo de avanço tecnológico, segundo a McKinsey. Isso equivale a algo entre 11% e 23% da população economicamente ativa global, calculada pela OIT em 3,5 bilhões de pessoas. Isso não significa que todos perderão o emprego, mas que serão impactados em algum grau, que vai de desemprego a ter um "cobot" (colega de trabalho robô com quem divide as funções).

'DE HUMANOS'

A mudança é positiva na medida em que libera profissionais de tarefas monótonas, que por sua vez podem ser feitas com maior rapidez e eficiência quando automatizadas.

"A boa notícia é que fica claro que os trabalhos para humanos terão que envolver qualidades humanas, como criatividade", afirma José Manuel Salazar-Xirinachs, diretor regional da OIT para a América Latina e Caribe. "Isso soa muito legal, mas a questão é: quantos trabalhos para pessoas criativas serão gerados?", questiona.

O Fórum Econômico Mundial, por exemplo, projeta um aumento na demanda nas áreas de arquitetura, engenharia, computação e matemática, entre outras. Esse incremento de vagas, contudo, não será suficiente para absorver quem perdeu o trabalho em outros setores, além de exigirem alta qualificação, avalia a organização.

DESIGUALDADE

Nesse cenário de extinção grande de trabalhos que exigem pouca qualificação e criação de um número menor que exige muita, a tendência é de aumento da desigualdade, alerta a OIT. O fim de funções hoje exercidas pela população de baixa e média renda vai gerar desemprego e pressionar para baixo o salário das que restarem, diante da massa de pessoas buscando trabalho.

Mesmo quem tem uma visão mais positiva sobre o futuro, como a McKinsey, sugere a criação de uma renda básica universal (principal bandeira do petista Eduardo Suplicy) como uma opção diante do enxugamento de vagas de menor qualificação. Um sintoma já perceptível desse processo é a queda ou estagnação da renda fruto de salários e capital em dois terços dos lares das economias avançadas entre 2005 e 2014, maior retrocesso desde os anos 1970, diz a consultoria.

Um caminho para contornar o problema é treinar a força de trabalho para que aqueles de menor qualificação profissional não fiquem para trás, diz o diretor da OIT. "Os novos empregos que estão sendo criados demandam habilidades matemáticas, analíticas e digitais. Isso significa que é preciso treino vocacional", afirma. Ele cita como exemplo o Senai, cuja proposta é preparar mão de obra técnica para a indústria.

Estudo na Unicef divulgado em dezembro alerta para o risco da tecnologia digital transformar-se em um novo motor de desigualdade. Embora 1 em cada 3 usuários da internet seja uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.

"Há uma forte preocupação com os trabalhadores de menor qualificação, em termos do impacto da tecnologia. Essas pessoas não são realmente alfabetizadas digitais, e não terão oportunidade para aprender habilidades específicas. Eles serão deixados para trás e terão uma empregabilidade muito pequena", diz Salazar, da OIT.

A velocidade com que as mudanças ocorrem demanda mudanças também na educação dos mais velhos, diante do prolongamento da vida profissional, na esteira do aumento da longevidade.

A automação não é a único motivo de preocupação. A emergência de novas relações profissionais fora do contrato tradicional é outro fator desestabilizador. Um novo grupo de pessoas cresce à margem dos direitos trabalhistas, classificados ora como "trabalhadores independentes", ora como "invisíveis" ou simplesmente "informais".

FLEXIBILIDADE

Segundo pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial com diretores das áreas de recursos humanos em empresas de 15 países, 44% deles acreditam que o maior impacto no mercado hoje vem das mudanças no ambiente de trabalho, como home office, e nos arranjos flexíveis, como contratação de pessoas físicas para trabalhar por projeto (a chamada "pejotização ). O percentual é semelhante entre os brasileiros (42%).

Outra forma emergente de trabalho são os relacionados à "gig economy", como plataformas online e aplicativos –programadores freelance e motoristas de Uber entram nessa categoria. A tendência é de que as empresas reduzam ao máximo o número de empregados fixos dentro do contrato tradicional, terceirizando para consultores o que for possível como forma de redução de custos e ganho de eficiência, segundo o Fórum Econômico Mundial.

Assim, embora a tecnologia gere uma demanda por novas atividades altamente qualificadas, como programação de um aplicativo, a probabilidade é que as empresas terceirizem a função, em vez de contratar diretamente esse profissional.

Gerenciamento de mídias sociais é um exemplo de função repassada a consultores, pagos por tarefa. Essa ausência do reconhecimento de uma relação de emprego faz a OIT classificar esse tipo de trabalho como "invisível".
Ainda não está claro se elas serão regulamentadas ou se cairão no trabalho informal, diz a OIT.

Já nos Estados Unidos e na Europa ganha força a classificação da categoria como "trabalhadores independentes", calculada em 162 milhões de pessoas pela consultoria McKinsey. A reforma trabalhista feita no Brasil no final de 2017 tentou abarcar em parte essas mudanças, ao regulamentar o home office, por exemplo. Polêmicas, como a situação dos motoristas de Uber, contudo, persistem.

O NOVO E O VELHO

Um desafio extra para o Brasil é que ele precisa começar a lidar com essas questões novas ao mesmo tempo em que ainda não resolveu problemas antigos, como o alto índice de informalidade, que voltou a subir durante a crise e hoje atinge 44,6% dos trabalhadores, segundo o IBGE.

É preciso estender a cobertura da legislação ao "velho" e ao "novo" mercado, Salazar-Xirinachs, diretor regional da OIT para a América Latina e Caribe. "O objetivo não é proteger o emprego em si, mas sim garantir os direitos trabalhistas clássicos mesmo que haja mais flexibilidade", diz.

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